O Cleveland Indians está se aproximando da maior winning-streak da história da MLB. Com um jogo pra lá de dominante do ace Corey Kluber na partida de ontem (12/09) contra o Detroit Tigers, a equipe de Ohio já soma 20 vitórias seguidas, empatando com o Oakland Athletics de 2002, e uma a menos que o Chicago Cubs de 1935. A equipe igualou também o feito de duas temporadas consecutivas com sequências de pelo menos 14 vitórias, que havia sido conseguido pela última vez pelo Cubs de 1935-36

Essa winning streak dos Indians é uma notícia que vem atraindo a atenção da maioria das pessoas que acompanha a MLB. A equipe dos Indians é uma das mais fortes desta mais temporada na MLB e essa impressionante sequência de vitórias é prova disso.

Tão importante quanto a sequência em si é compreender o que evoluiu na equipe de Cleveland para que se tornasse uma equipe ainda mais madura e confiável que na temporada passada, quando perdeu a World Series para o Chicago Cubs em um dramático jogo 7 (sempre bom frisar, ser uma equipe melhor que no último ano não significa que dessa vez a equipe será a campeã da MLB). A equipe vem atuando verdadeiramente como uma tribo, apostando no coletivo como sua fórmula para o sucesso.

A sequência de vitórias

Esta sequência de resultados positivos não pode ser relacionada à uma “grande maré de sorte” no qual a equipe vem ganhando a maior parte dos jogos de maneira apertada. Nesta sequência de 20 jogos, os Indians tem um saldo positivo de 102 corridas, o que dá uma impressionante média superior a 5 corridas de diferença por jogo. Em apenas quatro vezes na história da MLB uma equipe teve um saldo de corridas melhor, sendo a última delas em 1939.

Isto significa que os Indians vem jogando de uma maneira dominante em todos os aspectos do jogo, com um ataque altamente produtivo e um montinho que vem surpreendendo pela regularidade e alto nível. A sequência positiva começou com uma vitória na última partida de uma série contra o Boston Red Sox, em 24 de agosto, e prosseguiu através de séries varridas contra o Kansas City Royals, New York Yankees, Detroit Tigers, Chicago White Sox, Baltimore Orioles, até chegar na vitória da segunda partida contra nova série contra os Tigers nesta última terça-feira.

No geral, a equipe dos Indians encontra-se no topo das principais estatísticas coletivas da MLB esta temporada. É o segundo na MLB em on-base percentage (.340), terceiro em slugging (.450), menor ERA e FIP (3.41 ambos).

Este equilíbrio é o principal ponto a favor da equipe. Ao contrário de outros favoritos ao título que são claramente mais dependentes da produção ofensiva (como Nationals ou Astros) ou então do desempenho da rotação e do bullpen (como o Dodgers). Com uma média de apenas 3.58 corridas cedidas por jogo, os Indians são a equipe que menos sofrem corridas, até menos que o Los Angeles Dodgers (com uma média de 3.62). O ataque, com média de 5.09 corridas por jogo, é o sexto melhor da MLB mas, com exceção do Houston Astros que possui uma produção de corridas muito acima da média, há uma proximidade entre Cleveland e as equipes a frente, como Rockies (5.13) e Rangers (5.18).

O equilíbrio entre montinho e bastão se expressa no ótimo saldo de corridas de Cleveland. Com 218 corridas anotadas a mais que as corridas cedidas, os Indians estão bem à frente do segundo colocado na MLB, Dodgers com 166.

As surpresas da Tribo

Como dito anteriormente, já era sabido que os Indians eram uma equipe talentosa e era a favorita para ganhar novamente a divisão Central da Liga Americana. Corey Kluber, Francisco Lindor, Andrew Miller e o recém-chegado Edwin Encarnación eram tidos como as grandes estrelas que poderiam liderar a equipe à mais uma corrida aos playoffs. O bom desempenho destes jogadores é o que a maioria das pessoas que acompanham a MLB já imaginava.

O inesperado — e o que mais expressa a evolução dos Indians — é a melhora significativa de muitos jogadores considerados medianos, e como algunos novos nomes se encaixaram tão bem ao time. Ou seja, o fator coletivo é o que está mais pesando para o sucesso dos Indians, que vem jogando como uma verdadeira tribo.

Entre os rebatedores a maior surpresa é José Ramirez. O infielder já fez uma boa temporada passada, mas este ano vem mostrando que além de um ótimo contact-hitter, também pode rebater home runs e rebatidas multibases, ao ponto de ter se tornado o principal rebatedor da equipe, como abordaremos mais profundamente na edição deste mês da revista da Casa do Beisebol.

O equilibrado lineup dos Indians tem crescido em produção ofensiva nesta segunda metade da temporada

O corpo de arremessadores tem sido jogado em um ótimo nível como um todo, da rotação ao bullpen. Corey Kluber (ERA 2.44 e WHIP de 0.87), ace da equipe, vem jogando em um nível de concorrente direto ao prêmio Cy Young da Liga Americana, enquanto Carlos Carrasco (3.41 e WHIP de 1.082) vem sendo um ótimo starter número dois em temporada voltando de lesão. Danny Salazar, após um início de temporada difícil que incluiu até uma passagem pelo bullpen, vem encontrando o nível que já teve, enquanto Clevinger subiu este ano da triple-A e vem surpreendendo — ERA de 3.30 em 19 jogos.

A grande surpresa talvez seja Trevor Bauer, que vem reinventando seu estilo de jogo, especialmente no desenvolvimento de sua bola de curva. Mesmo após um início de temporada desastroso, o pitcher de 26 anos, com 8 quality starts nos últimos 9 starts. Foram apenas 14 corridas merecidas e 60 strikeouts, com um ERA de 3.65 e 7 vitórias no período.

O bullpen da equipe também tem jogado em um nível elevadíssimo. Dos sete principais relievers da equipe (Allen, Miller, Shaw, Otero, Goody e McAllister), apenas Brian Shaw tem um ERA acima de 3, com 3.19. Como já era de se esperar, o homem de confiança do técnico Terry Francona, Andrew Miller (que atualmente está no DL) é quem mais impressiona, com um ERA de 1.65 e WHIP de 0.787.

A rotação dos Indians como um todo tem sido dominante na temporada

Agora, o que mais impressiona é a quantidade de jogadores que já atuaram e foram importantes para a equipe nesta temporada. Entre os rebatedores, apenas Carlos Santana, José Ramirez, Francisco Lindor e Edwin Encarnación tem mais de 400 at-bats na temporada. Em compensação, outros 13 rebatedores tem pelo menos 100 at-bats (que somando com os quatro acima, são 17 no total) na temporada, demonstrando a qualidade coletiva do elenco dos Indians e a qualidade do técnico, Terry Francona, em trocar peças do elenco sem perder competitividade.

Prospectos como o outfielder Bradley Zimmer e o arremessador Mike Clevinger foram chamados das ligas menores no decorrer da temporada para solucionar problemas de lesões, e conquistaram seus lugares como titulares habituais da equipe.

Ou seja, o principal segredo do Cleveland Indians é o seu equilíbrio, não dependendo exclusivamente de suas estrelas ou de um setor do jogo para ganhar as partidas. Kluber pode ser a cereja do bolo, mas a rotação como um todo tem jogado de forma consistente. Da mesma forma, Miller pode ser o mais dominante do bullpen, mas todos os relievers tem sido confiáveis a ponto de segurar as vantagens no placar na maior parte das partidas. Não sobrecarregar as responsabilidades nas costas de poucos jogadores é um fator que beneficia claramente as chances de título para a equipe de Ohio.


Na tarde desta quarta-feira, o Cleveland Indians vai em busca de escrever mais um capítulo nesta história impressionante. Hoje, contra os Tigers, a equipe de Ohio pode empatar o record do Cubs de maior sequência de partidas vitoriosas na história da MLB. Este é um feito dificílimo de ser realizado, especialmente no beisebol onde o resultado de uma partida seja talvez o mais imprevisível dos esportes coletivos (a superioridade de uma equipe é expressa muito mais em uma amostra grande de jogos, do que em uma partida isolada).

Não podemos prever quando essa sequência vai acabar, muito menos se essa superioridade dos Indians será confirmada nos playoffs com a conquista da World Series. Agora nada vai tirar o prazer para um fã de beisebol ao assistir um feito histórico sendo construído assim na sua frente — e especialmente os torcedores de Cleveland, claro —, tal qual é quando torcemos para um arremessador completar um jogo perfeito, ou um rebatedor completar o cycle