Dizem que assistir a final de alguma liga importante é a melhor porta de entrada para gostar do esporte. Assim funcionou comigo, na verdade, em muitas ocasiões. Super Bowl de 2007 (sou péssimo em número romano, desculpa) e Stanley Cup de 2011 são memórias que eu tenho na cabeça de grandes jogos que me impulsionaram a me interessar por outras modalidades. No beisebol, para mim foi diferente — comecei a tomar gosto depois de um Home Run Derby (acredite se quiser). Mas para outras milhões de pessoas espalhadas pelo globo, o que está acontecendo nessa World Series e o que teve nas últimas três certamente é/foi uma porta de entrada para o beisebol.

O que Kansas City Royals e San Francisco Giants (2014), Chicago Cubs e Cleveland Indians (2016) e agora LA Dodgers e Houston Astros fizeram/estão fazendo pelo nosso esporte é algo difícil até de mensurar. É uma grande conquista para o beisebol ter a modalidade sendo elevada ao seu máximo em qualidade no maior palco possível e com requintes de drama e reviravoltas.

O jogo cinco da World Series deste ano, por exemplo, superou o Sunday Night Football em audiência por três pontos na TV americana — 12 a 9, respectivamente. Na teoria, deveria ser algo recorrente se tratando da finalíssima do beisebol contra apenas mais um jogo de temporada regular da NFL, mas como sabemos, no Brasil e lá fora a preferência pelo futebol americano no horário nobre quase sempre é obrigatória — basta ver que o primeiro jogo entre Boston Red Sox e Houston Astros no Brasil foi para a ESPN Extra, um canal em que pouquíssimas pessoas têm acesso.

Outro exemplo é que duas hashtags relacionadas ao insano jogo cinco estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter por alguns minutos. Mesmo quem não conhece o beisebol ou acha o jogo “chato” provavelmente deu uma chance para o esporte naquela noite de domingo e viu o melhor possível que essa modalidade pode proporcionar.

Hoje, no jogo sete em Chavez Ravine entre Dodgers e Astros, marca o fim de uma serie simplesmente espetacular de recordes, drama e muita qualidade. É o legado de Clayton Kershaw na pós-temporada em jogo, os Astros procurando o primeiro título, os Dodgers tentando encerrar uma seca de quase 30 anos perante aos olhos de Vin Scully… são tantas narrativas legais que cada tópico desse poderia ser estendido para uma coluna de mil palavras.

Vin Scully junto a Fernando Valenzuela no lançamento do primeiro arremesso antes do jogo dois (AP)

Esse 1° de novembro marca a noite em que praticamente todo mundo que gosta de esporte nos Estados Unidos ligará a TV para assistir um jogo de beisebol. No Brasil, milhares de pessoas vão se reunir com amigos ou familiares próximos para introduzir o beisebol nessa partida que promete ser emocionante do começo ao fim.

Dodgers e Astros estão fazendo bem ao beisebol de um jeito tão grande que adiciona a uma fase de ouro na World Series. Assim como os Cubs campeões no ano passado foram noticiados no Jornal Nacional, o que acontecer hoje vai chegar aos olhares e ouvidos de pessoas que ainda não sabem como funciona a regra do beisebol.

Não só na World Series, mas a MLB vive uma fase de ouro e aos poucos tenta recuperar um lugar e legado que já foi intocável na massa norte-americana. Além disso, com a globalização da internet e o fácil acesso as transmissões, momentos como esse fomentam ainda mais a popularidade ao redor do planeta.

Mesmo se a partida de hoje for um brochante 8 a 0 para qualquer lado ou algo parecido, em termos de emoção e popularidade ao beisebol esta World Series de Astros e Dodgers já está com seu dever cumprido.