O momento mais importante da temporada do beisebol japonês chegou. A Japan Series, ou Nippon Series, é a grande final da NPB. Os campeões da Climax Series na Liga Central, o Yokohama DeNA Baystars, e o campeão da Climax Series na Liga Pacífico, o Fukuoka Softbank Hawks, começam a se enfrentar nesse sábado (28), em uma melhor de sete jogos.

Assim como na MLB, que teve a regra de mando de campo alterada nesse ano, a Japan Series é jogada no sistema 2-3-2, com o time de melhor campanha, nesse caso os Hawks, dono do mando de quatro jogos, podendo abrir e fechar a série em seu estádio.

Confronto

Por serem de ligas diferentes, os times pouco se enfrentam durante a temporada. Apenas três jogos são disputados no período de Interligas, onde os times da Central e do Pacífico se enfrentam. Nesse ano os três jogos aconteceram no Yokohama Stadium, casa dos Baystars. Foram duas vitórias para o time visitante e uma vitória no último jogo para os donos da casa.

O confronto entre os times reflete um pouco o que foram as campanhas dos times em suas ligas e principalmente no interligas. Enquanto os Hawks tiveram o melhor desempenho no período (12 vitórias e 6 derrotas), os Baystars ficaram com o 50% de aproveitamento (9 vitórias e 9 derrotas).

Foram jogos de muitas corridas (16 para os Hawks e 12 para os Baystars) em que os ataques prevaleceram. Yuki Yanagita, provável MVP da temporada, teve sozinho, desempenho melhor do que José López e Yoshitomo Tsutsugo, melhores jogadores no bastão do time de Yokohama. A má notícia para o time de Fukuoka é que a única vitória do rival veio com Kondai Senga, ace do time, como abridor do jogo.

José López e Yoshitomo Tsutsugo fizeram do ataque dos Baystars um dos mais perigosos no ano (Fotos – Kyodo)

Time da virada

Melhor alcunha não há para o time de Yokohama. Surpreendente em sua campanha e maior surpresa nessa etapa da liga, os Baystars trilharam um caminho árduo. Último time a se classificar para os playoffs, disputando a vaga até quase a última rodada com o Yomiuri Giants, terminando a temporada regular com apenas uma vitória de vantagem.

No primeiro estágio da Climax Series o adversário foi o Hanshin Tigers, com todos os jogos da melhor de três acontecendo no estádio do adversário. Após derrota no primeiro jogo, o time teve de vencer os dois seguintes para garantir a classificação.

Na Climax Series Final a história foi parecida. Todos os seis jogos previstos para a série seriam jogados no campo do Hiroshima Toyo Carp. Assim como na fase anterior, derrota no primeiro jogo. Mas dessa vez foram necessárias quatro vitórias, todas conquistadas em sequência.

Joe Wieland e Shota Imanaga tiveram ótimo desempenho nos jogos em que abriram nos playoffs (Fotos – Kyodo)

Curiosamente, o time tem sua grande força no bastão, concentrada em Tsutsugo e López, mas durante a pós-temporada, principalmente nas vitórias cruciais, o desempenho no montinho foi o destaque e maior responsável pela classificação.

Joe Wieland e Shota Imanaga foram os caras na virada contra os Tigers. Wieland repetiu o bom desempenho contra os Carps. Além deles, Shoichi Ino teve papel vital no segundo jogo, quando contribuiu para o shutout e também impulsionou a única corrida do jogo três da série contra os Carps.

Entrando como “azarão” nessa disputa, com um ataque fortíssimo, capaz de explodir em rebatidas a qualquer momento, é que o time de Yokohama vai para a terceira final de sua história em busca do terceiro título, e também quebrar a recente hegemonia dos times do Pacífico,  que levaram as últimas quatro Japan Series.

Yuki Yanagita e Seiichi Uchikawa, dois MVP´s a serviço dos Hawks (Fotos – Kyodo)

Favoritos

Melhor campanha em toda a liga, time que mais venceu jogando em seu estádio ou como visitante, larga experiência em momentos decisivos, terceira Japan Series em quatro anos, melhor grupo de arremessadores e um dos melhores ataques da liga, contando com dois MVP’s no elenco. Essas são todas as credenciais dos Hawks para a final.

Classificado diretamente para a Climax Series Final, o time de Fukuoka parece ter sentido a falta de ritmo de jogos e também a ausência de seu principal jogador, Yuki Yanagita. Na série diante do Tohoku Rakuten Golden Eagles, duas derrotas nos dois primeiro jogos e necessidade de virada. Virada que veio com três vitórias em sequência.

Se Yanagita esteve machucado e participou apenas do jogo cinco da série, outro MVP assumiu a liderança do ataque dos Hawks. Seiichi Uchikawa teve importância ímpar para o time. O MVP da temporada 2011 e da Japan Series de 2014, foi responsável por comandar o ataque, anotando home runs nos quatro primeiros jogos da série.

Outro jogador que brilhou nesse time foi Akira Nakamura, com rebatidas importantes e corridas impulsionadas nos jogos com placar mais magro. Também nesses dias apareceu a figura mais temida, vinda do bullpen, da NPB. Dennis Sarfate, recordista absoluto de saves na temporada, foi a segurança e responsável por finalizar as vitórias que empataram a série.

Se em Sarfate mora toda a segurança que o time tem nas vitórias ao estar liderando o placar na última entrada, em Kodai Senga, Nao Higashihama e Rick van den Hurk estariam a segurança em manter o time adversário com poucas ou nenhuma corrida. Mas não foi o que aconteceu nessa curta pós-temporada e o time se amparou apenas em seu ataque.

Kodai Senga, principal abridor, e Dennis Sarfate, melhor fechador da liga, são as seguranças no montinho dos Hawks (Fotos – Kyodo)

Previsão

Esta deve ser uma série longa, pelo menos no sentido de domínio de um time sobre o outro. Seis ou até sete jogos devem acontecer, com os times se aproveitando do mando, mas também roubando vitória na casa do adversário.

Os Baystars finalmente jogarão uma partida desses playoffs em Yokohama, pelo menos duas, devendo por em prática sua força em casa, onde venceu a maior parte dos jogos. A chave para vitória continua sendo o ataque, ainda mais com o desempenho ruim dos abridores dos Hawks. Chegar próximo ao fim do jogo atrás do placar já foi visto que não é bom.

Para os Hawks, a volta de Yanagita ao time é o ponto mais positivo, em termos de moral e desempenho, já que o jogador mostrou bom trabalho no bastão logo em sua partida de retorno. Uchikawa deve manter o ritmo e contar com a ajuda de Alfredo Despaigne, que ainda não contribuiu de forma efetiva nos playoffs, para o time ter sucesso, entregando um jogo vitorioso para seu fechador.

Espera-se uma série com domínio dos ataques, em que grandes batalhas no montinho não devem acontecer. Com o mando de campo a favor dos Hawks e com um time mais completo, o oitavo título de Japan Series dever ir para Fukuoka.

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O canal japonês NHK, que conta com transmissão na TV a cabo no Brasil, transmitirá cinco dos possíveis sete jogos da série (jogos 1, 2, 4, 6 e 7). Até o fechamento deste texto não havia confirmação na programação do canal.


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