Home runs vendem. Home runs em grandes mercados vendem mais ainda. Historicamente tem sido assim na MLB desde a era moderna, consolidada após a revolução da força no jogo feita por Babe Ruth. Seja na disputa de home runs entre Jimmie Foxx e Babe Ruth na década de 1930, com a disputa entre Roger Maris e Mickey Mantle na década de 1960 com a alucinante batalha entre Sammy Sosa vs Mark McGwire até os recordes pornográficos de Barry Bonds, os home runs sempre foram positivos para a imagem do melhor beisebol do mundo. E Giancarlo Stanton no New York Yankees é exatamente o que o beisebol precisava para triunfar numa época de ouro do nosso esporte.

Pare um momento para pensar. O Chicago Cubs quebrou uma seca de 108 anos no ano passado num acontecimento de repercussão mundial. Neste ano, o Cleveland Indians conseguiu a maior sequência de vitórias da história e grandes jogadores, como Max Scherzer e o próprio Stanton, consolidaram seus respectivos grandiosos legados. Em meio a essa recente onda de grandes acontecimentos para os registros da MLB, Stanton se encaixa como uma luva nos Yankees no que vem a ser uma narrativa perfeita para ítalo-americano.

Stanton chega no momento perfeito. Ele vem logo após ter sido MVP pela primeira vez na carreira e de finalmente ter mostrado para o mundo do beisebol que, sim, ele saudável é um dos jogadores mais poderosos da história do beisebol. Além disso, ele chega no auge da carreira, com 28 anos e ainda muito tempo de contrato — Os Yankees arcaram com US$ 265 milhões dos 295 do contrato restante com o Miami Marlins. Para completar ainda mais o pacote, vem para fazer dupla com uma estrela em ascensão chamada Aaron Judge.

Aaron Judge agora é a sombra de Stanton no time (Getty Images)

Por mais que Miami esteja num centro forte em economia, os Marlins não tem nem 1% da história esportiva que os Yankees cultivam há mais de um século. Apesar da globalização ter amenizado a discrepância em mídia e repercussão dos mercados de pouca tradição com os de grande, ainda em 2017 um home run no Yankee Stadium é muito mais falado e tuítado/visto do que no Marlins Park. E basta ver as cadeiras vazias no estádio em Little Havana durante a maior parte da temporada para ter uma noção disso.

A dupla Judge e Stanton, sozinha, mandou neste ano 111 home runs — isso quase ultrapassou o San Francisco Giants como um time (128). É essa dupla que será a mais falada em todo beisebol em 2018 e adiante. É o motivo perfeito para assistir aos Yankees jogarem. Pouco importa se o time estiver vencendo ou perdendo. A qualquer momento, saberemos que, no meio do lineup dos Yankees, Stanton ou Judge pode nos injetar de ânimo e empolgação com alguma paulada que vai viajar 400 pés. E isso é fantástico para a ascensão da MLB ao redor do globo.

Tudo isso no centro mundial do beisebol em New York. Se neste ano Judge tornou-se o primeiro grande rebatedor de home runs dos Yankees desde os tempos áureos de Alex Rodriguez, agora Stanton vem para ser o segundo grande rebatedor de home runs pós-Rodriguez. Talvez o jogador mais espetacular em quesito HRs a vestir a camisa listrada desde Mantle.

Ainda é cedo, faz cerca de 24 horas que Stanton foi oficializado nos Yankees. Mas não é nada absurdo já projetar essa dupla Judge-Stanton como a nova Maris-Mantle. Em termos de talento, tem potencial tornarem-se tão bom quanto e reescrever histórias parecidas de rivalidades pacíficas dentro do próprio time que ajudam o time a prosperar.

Mickey Mantle (esq.) e Roger Maris (dir.) formaram a última grande dupla no lineup dos Yankees

Stanton teve o poder na negociação. Como franchise player e poder no contrato, ele poderia ter ido para o St Louis Cardinals ou San Francisco Giants, dois fortíssimos concorrentes durante as negociações. Mas ele preferiu ir para o Bronx, e certamente uma das motivações foi o fato de haver Judge por lá e pelos Yankees serem uma equipe jovem e em plena ascensão.

Um parêntese para o planejamento perfeito de Brian Cashman nessa história toda. Pacientemente, promoveu um processo de reconstrução nos Yankees a partir de 2014 que já neste ano rendeu muitos frutos. Ao invés de assinar um contrato gigantesco na offseason, ele basicamente comprou Stanton por Starlin Castro e outros prospectos. Os Marlins, do agora cartola Derek Jeter, praticamente deram de mão beijada um jogador que só vem a cada geração. E, assim como os Yankees fizeram com Aroldis Chapman, eles aproveitaram a deixa para fisgar um grande jogador no momento certo.

Agora é só esperar terminar o offseason e a temporada começar para todos os holofotes do beisebol se virarem para o Yankee Stadium. Uma negociação que não poderia ter sido melhor para a saúde do beisebol.

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Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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