A temporada regular do beisebol japonês acabou na última terça (10). Com muitos jogos adiados devido às chuvas a temporada durou mais do que o normal, invadindo o mês de outubro.

A partir do sábado (14), a pós temporada, Climax Series, se inicia para quatro times, dois da Central League e dois da Pacific League. Mas antes de falar sobre os playoffs da NPB, vamos repassar a temporada regular, começando pela tabela de classificação.

Classificados diretamente para a Climax Series Final, com a melhor campanha, o Hiroshima Toyo Carp, pela Central, e Fukuoka Softbank Hawks, pelo Pacífico, aguardam os adversários para a melhor de cinco jogos, valendo a vaga da Japan Series.

Os adversários sairão dos confrontos da Climax Series First Stage, ou seja, primeira etapa da Climax Series. Disputada em melhor de três jogos, Hanshin Tigers e Yokohama DeNA Baystars duelam na Central, enquanto Saitama Seibu Lions e Tohoku Rakuten Golden Eagles duelam no Pacífico.

O árduo caminho para se chegar nesse ponto passou por 143 jogos em 194 dias desde o dia 31 de março. Como toda temporada de beisebol, seja no Japão ou em qualquer outro lugar, surpresas apareceram, favoritismos foram confirmados e protagonismos também mudaram de figura.

Surpresas

Os Fighters podem ser classificados como a grande surpresa, negativa, desta temporada. Melhor campanha no pacífico e campeão da Japan Series em 2016, esperava-se uma dinastia do time, ainda mais contando com o fenômeno Shohei Otani. Mas é em Otani que o fracasso da temporada se explica, em grande parte.

O jogador de múltiplos talentos desfalcou o time desde o começo da temporada, ficando fora por praticamente três meses, voltando apenas no final do mês de junho. Nesse momento a campanha do time já estava bem negativa (29-42). Otani voltou aos poucos, contribuindo mais no bastão. No montinho o jogador fez apenas cinco jogos, arremessando pouco mais de cinco entradas de média. A campanha melhorou (31-41), mas a temporada já estava perdida.

Lesão de Shohei Otani afastou os Fighters de qualquer chance de pós temporada (Foto – Kyodo)

A surpresa positiva foram os Lions. Fora da Climax Series desde a temporada 2012, o bom time de Saitama, liderado pelo arremessador Yusei Kikuchi, batalhou boa parte da temporada entre os três primeiros no pacífico, ficando em segundo após a queda de rendimento dos Golden Eagles.

A disputa pela terceira vaga na central também foi outra boa surpresa. Os Giants, que não ficavam fora da Climax Series desde a temporada de 2006, travaram uma batalha com o Baystars pela classificação até o fim da temporada. Os dois times que estiveram entre os classificados no último ano batalharam pela última vaga graças a boa campanha dos Tigers e seu conjunto consistente.

Favoritos

Se o atual campeão do Pacífico não confirmou o favoritismo, o mesmo não aconteceu na Central. Com mais uma bela campanha, sobrando em sua divisão, os Carps confirmaram as expectativas em torno do time, e mesmo com contusões confirmou sua classificação com antecedência, assim como o título.

O forte ataque manteve o time como melhor da NPB e deixou os times adversários sempre em risco. Se o arremessador Kris Johnson, vencedor do Eiji Sawamura (melhor arremessador da temporada) de 2016, não teve uma temporada de MVP, o restante da rotação segurou o time quando o ataque não prevaleceu.

Carp confirmou o favoritismo na Central League (Foto – Toyo Carp)

Favoritismos temporários, essa é a definição para Eagles e Hawks, no Pacífico. De um deles se esperava a classificação e final de Climax Series, ainda mais com o time reforçado. Os Hawks superaram as expectativas, se classificando direto para a final da divisão e tomando para si, principalmente após a segunda metade da temporada, o favoritismo.

Já os Eagles não souberam conviver com o favoritismo criado durante a primeira metade da temporada, em que foi o líder e melhor campanha (44-21), vencendo com potência no ataque e consistência no montinho. A segunda metade foi sofrida, perdendo o a liderança e o segundo lugar para os Lions, com uma campanha bem ruim (33-42). Até mesmo Takahiro Norimoto, estrela do montinho, viu seu desempenho e sua série de strikeouts diminuírem consideravelmente.

Protagonistas

Esta foi uma temporada de arremessadores. Tradicionalmente o Japão tem grandes arremessadores em seus times e seleção, mas numa liga onde os home runs são bem comuns e os estádios ajudam nesse quesito, o trabalho no montinho foi o destaque.

Mesmo fora da pós-temporada, Tomoyuki Sugano, dos Giants, deve levar a honraria de melhor arremessador da liga (Eiji Sawamura Award). Com um ERA de 1.59 o abridor foi a grande de segurança do time de Tóquio.

O mais perto desse número, o que poderia ser uma ameaça ao prêmio de Sugano, será Yusei Kikuchi, dos Lions. Classificado com o seu time para a Climax Serie e com o ERA 1.97, o arremessador pode levar vantagem com um possível triunfo de seu time.

Mas não é só de japoneses que a liga se apresenta com força no montinho. Randy Messenger, norte-americano dos Tigers, está no topo das estatísticas, contribuindo de forma essencial para o sucesso de seu time. Outro grande nome é Dennis Sarfate, também norte-americano, o fechador dos Hawks teve uma temporada espetacular com 54 saves. O número é tão absurdo que nenhum time em toda liga somando todos os saves de seus arremessadores chegaram a 40.

Dennis Sarfate dos Hawks, o melhor fechador da liga, deu toda segurança ao time (Foto – Kyodo)

A NPB, apenas com sua temporada regular finalizada, mostrou mais uma vez a força do beisebol japonês, grandes jogos, nomes, histórias e novamente grande público. Mais uma vez a liga quebra recorde de público, chegando ao total de 25 milhões de presentes nos estádios.

A temporada regular se foi, mas a Climax Series está logo aí, no sábado (14) se inicia, mas esse é outro assunto, que iremos abordar, tanto da liga Central, quanto a do Pacífico, nos próximos textos.


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