Eddie Vedder teve um início muito parecido com outras milhares de pessoas em Chicago. Nascido em 1964, ele cresceu como um fã incondicional do Chicago Cubs e a adolescência coincidiu com um período marcante da franquia. No fim da década de 1970 e início de 80, Vedder era figura carimbada nos jogos dos Cubs no Wrigley Field. Ele viu de perto grandes jogadores como Ryne Sandberg, Rick Reuschel e um time que em 1984 chegou a vencer 96 jogos e bateu na porta da World Series. Quando a vida adulta chegou, ele tomou novos ares, foi para Seattle e formou uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

O Pearl Jam nasceu em Seattle, 1990, numa cidade que fica a mais de 3 mil quilômetros de distância de Chicago. A banda começou chutando a porta do rock mundial, com o primeiro álbum Ten lançado em 1991 com sucessos como “Jeremy”, “Alive” e “Even Flow”. Com o sucesso repentino, a vida de Vedder, então aos 27 anos, nunca mais seria a mesma. Fama, muito dinheiro e uma vida que todo mundo sonha como um rockstar novo e com um futuro brilhante pela frente.

Vedder poderia muito bem ter deixado os tempos de subúrbio em Chicago pra trás e colocar os Cubs como um rodapé na vida. Só que a fama mundial não atrapalhou a relação com o time — pelo contrário, só fortaleceu. Vedder admite que nunca foi o melhor em lidar com todo sucesso que de repente chegou, e que na década de 1990 assistir aos Cubs era uma válvula de escape para tanta pressão da mídia e dos fãs em novos lançamentos. “Eu sempre contei com os Cubs como uma saída para os meus problemas. Estar em casa, ver um jogo pela TV e retomar a minha adolescência são coisas mágicas para mim”, conta Vedder.

A primeira vez que você entra no Wrigley Field é como entrar em um mundo de Oz — Eddie Vedder

Essa conexão com os Cubs chegou ao ápice no ano passado. Vedder, um diehard fan, vivenciou de perto a caminhada dos Cubs rumo ao primeiro título em 108 anos. Em agosto de 2016, no meio da temporada regular da MLB, o Pearl Jam realizou dois shows que totalizaram cerca de 90 mil pessoas no coração do Wrigley Field.

O resultado foi espetacular, soldout em minutos em ambas apresentações. De quebra, os dois shows foram documentados nos mínimos detalhes. Tudo foi compilado no “Let’s Play Two”, um material que virou DVD/CD e um documentário de mais de uma hora sobre a conexão com Vedder e os Cubs.

Let’s Play Two junta o melhor dos fãs de Pearl Jam com quem ama beisebol. É a conexão perfeita. Uma das melhores bandas do mundo ao vivo em um Wrigley Field completamente lotado. Uma energia sem igual, que mesmo assistindo pela TV ou escutando pelo Spotify é possível sentir. Os fãs com os bonés dos Cubs, a apresentação perfeita, o fim de noite em Chicago. É de arrepiar a cada música.

No show, inclusive, a penúltima música da DVD é “All The Way”, uma canção escrita por Vedder em homenagem aos Cubs. O vocalista conta que realizou essa música após um pedido de Ernie Banks, conversa detalhada em uma entrevista sensacional de Vedder com Joe Buck (vale MUITO a pena assistir).

A ligação do Pearl Jam com beisebol é tão grande que o site da banda criou um jogo de beisebol em 8 bit com o Wrigley Field como pano de fundo. Detalhe é que se você conseguir pontuação máximo, concorre a produtos autografados pela banda.

Para fechar esse artigo com chave de ouro, “Corduroy” completa e ao vivo no Wrigley Field, uma música que o canal oficial da banda disponibilizou como um teaser desse documentário fantástico.

 

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Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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