Houston Astros já teve Jeff Bagwell, Craig Biggio, Randy Johnson, Roger Clemens e Nolan Ryan. Todos jogadores que provavelmente estão entre os 50 melhores da história do beisebol numa franquia com 55 anos de existência. Nenhum deles, no entanto, foi capaz de levar os texanos ao título da World Series. A geração atual, ancorada por Dallas Keuchel e José Altuve, provou ser diferente com o título conquistado na noite desta quarta (1) em Chavez Ravine.

Discutimos tanto sobre a imprevisibilidade da pós-temporada e como ela pode ser cruel para times que se planejam tanto para outubro, mas os Astros fizeram da melhor maneira possível para maximizar suas chances de título neste ano. Jeff Luhnow é um gerente geral extremamente analítico e inteligente e que regeu o time de maneira brilhante nas últimas duas temporadas para construir um contender sem necessariamente queimar o futuro — algo que não aconteceu com o Oakland Athletics de Billy Beane.

A trade deadline deste ano é uma comprovação disso. Ao invés de queimar a categoria de base negociando os melhores prospectos para conseguir mais do que um jogador importante para a pós-temporada, Luhnow foi preciso ao contratar apenas Justin Verlander como um jogador de peso para a pós-temporada. Ele poderia ter dado uma de Beane em 2014 e colocar todas as fichas na mesa, mas resolveu ser cauteloso e preciso.

Os últimos dois campeões da World Series premiam a inteligência e o planejamento. O Chicago Cubs levantou a taça no ano passado preservando seus melhores prospectos e não despejando milhões em veteranos em fim de carreira. Os Astros deste ano seguiram o mesmo script, de maneira muito parecida.

Isso cria uma projeção extremamente positiva e uma nova tendência na liga — premiando a inteligência ao invés do “achismo”. Astros e Cubs passaram por grandes reconstruções no início da década, e ambos conseguiram sair do poço através de excelentes drafts e de veteranos importantes. Também como nos Cubs, os principais responsáveis pelo título dos Astros ainda estão bem abaixo dos 30 anos — como Alex Bregman, Altuve, Correa e George Springer, todos que foram proveniente das categorias de base do time.

Springer é mais um lapidado nas minors dos Astros

Essa juventude, turbinada por uma diretoria que sabe quando ser conservadora e agressiva, é um perigo para os outros concorrentes na Liga Americana. Na categoria de base dos Astros no momento, jogadores como Forest Whitley, Kyle Tucker e Francis Martes logo devem ocupar funções importantes no elenco principal para incrementar ainda mais um time que já é passível de vencer pelo menos 100 partidas no ano que vem.

Mesmo se o título não vier nos próximos anos — o que é algo difícil de projetar em meio a tanta insanidade nos playoffs da MLB — os Astros estão em uma ótima posição para o futuro. São duas idas à pós-temporada nos últimos três anos e a divisão oeste da Liga Americana, da qual eles dispararam desde a primeira semana em 2017, parece que vai ficar ainda mais fraca no ano que vem.

A chance de tudo dar errado e os Astros vencerem menos de 90 jogos nas próximas duas temporadas — ou seja, fora dos playoffs — é bem pequena. Isso nos leva a crer que essa geração está apenas começando uma trajetória em outubro que pode perdurar por muito tempo.

Por mais clichê que possa parecer, mas é necessário afirmar que o maior vencedor disso é o beisebol. Supertimes estão mais comuns do que nunca, pois além dos Astros ainda há grandes potências como Dodgers, Cleveland Indians e times emergentes a potência como Boston Red Sox, New York Yankees e o Chicago Cubs querendo retomar a esse posto.

Como Fangraphs apontou no início do mês, estamos vivendo uma era de supertimes. Se você acha que os Astros foram bons agora, espere até 2018 ou adiante, pois esse time ainda tem muito mais a oferecer. Com uma diretoria inteligente, categoria de base boa e jovens estrelas, o cenário aponta para um otimismo gigantesco no estado do Texas.

About The Author

Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

Related Posts