Na última terça-feira (29/08), em um at-bat do infielder do Tampa Bay Rays, Brad Miller, contra o reliever de Kansas City Royals, Brandon Maurer, assistimos ao home run de número 5.000 na MLB este ano. E se continuarmos neste ritmo, teremos mais de 6.000 home runs até o fim da temporada, ultrapassando — e muito — o atual recorde de 5.693 home runs na temporada de 2000. Mais do que um simples recorde, essa marca pode indicar muitas coisas que estão em vias de mudança na MLB, desde o evidente aumento de força dos “rebatedores médios”, até a suspeita de mudanças na fabricação das bolas que tem favorecido mais “bolas voadoras”, como muitos arremessadores têm alegado ao longo da temporada.

Visto que a média de home runs por mês nessa temporada tem girado em torno de 1000, é praticamente impossível que o record de mais home runs em uma temporada não seja quebrado este ano. Só uma queda absurda nesta média faria que a liga não alcançasse os menos de 700 home runs necessários para quebrar a marca atual. Isto significa que a atual taxa de home runs supera até mesmo o auge da “era do doping”, quando a própria liga incentivava o doping de alguns rebatedores para aumentar o número de home runs e carregar com isso a popularidade da liga que andava em baixo no início dos anos 1990.

Resultado de imagem para bellinger judge

Aaron Judge e Cody Bellinger e a primeira vez em que dois rookies conseguem pelo menos 35 home runs cada em uma mesma temporada na MLB

A marca de 1.27 bolas rebatidas para o outro lado do muro por equipe a cada jogo é de longe a maior média da história da MLB. E esse ano não é um ponto fora da curva: a média de 1.16 home runs por time a cada jogo na temporada passada já havia chegado muito próximo da maior média da história, de 1.17 no ano de 2000, superando as taxas de 1.14 em 1999 e 1.12 em 2001 e 2004, todas estas marcas no ápice da “era do doping”. Isto significa que, mantendo a média de aproximadamente 3.5 home runs por jogo, deveremos ter em torno de 1350 HRs a mais nestes quase 400 jogos que faltam para o fim da temporada.

O fato de Miller ter sido o jogador a chegar ao home run de número 5000 pode ser usado como um exemplo das mudanças atuais na MLB. Nunca antes os “jogadores medianos” tiveram tanta força no bastão e tanta capacidade de rebater home runs.

Há 10 anos, na temporada 2007, apenas sete jogadores tinham 30 ou mais home runs na virada entre os meses de agosto e setembro. No atual ano, este número é de incríveis 21 jogadores. Se considerarmos a temporada da atual marca de mais home runs em um ano na MLB, 2000, foram 217 jogadores com 10 ou mais bolas rebatidas para o outro lado do muro. Hoje, ainda nos primeiros dias de setembro, já são 215 jogadores que atingiram essa marca, mais 53 jogadores que tem de sete a nove home runs nessa temporada e tem reais chances de atingi-la também. Isto indica que, mais do que a presença de grandes sluggers que miram os 50HRs anuais, o crescimento de home runs nesta temporada é muito mais o fruto do aumento de potência no bastão dos “jogadores comuns”.

Essa mudança é ainda mais visível quando analisamos posições de campo que tradicionalmente eram destinadas a jogadores com um ótimo contato no bastão e velocidade correndo entre bases e agilidade defensiva e que nas quais andam surgindo diversos jogadores que, além das qualidades acima, também têm bastante potência no bastão, como os shortstops (Francisco Lindor, Marwin Gonzalez, Corey Seager, Didi Gregorious,Tim Beckham, Trevor Story e Elvis Andrus com pelo menos 15HRs entre os SS) e segunda-base (José Altuve, José Ramirez, Jonathan Schoop, Brian Dozier, Rougned Odor, Javier Baez, Daniel Murphy e Robinson Cano são os 2B que já conseguiram 20HR ou mais).

Resultado de imagem para jonathan schoop home run

Jonathan Schoop é um dos tantos infielders que tem batido muitos home runs na MLB atual

Por outro lado, o aumento de home runs não significa que estejamos vivendo uma nova explosão ofensiva no geral, com ataques que anotam muitas corridas e crescimento no ERA dos arremessadores. A média de aproximadamente 4.60 corridas por time a cada jogo é apenas a 35ª maior marca da MLB desde 1900, o que faz com que a maior média de home runs da história nesta temporada seja uma marca ainda mais relevante, pois significa que uma proporção muito grande das corridas anotadas vem de home runs.

É aí que mora um dos “problemas” que o aumento de home runs pode representar. Apesar de tradicionalmente ser visto como uma jogada explosiva, os home runs também podem significar um dos principais problemas para a MLB atualmente: a falta de ação nas partidas. Somando os home runs, strikeouts e walks há uma média de 25.5 at-bats por jogo em que não há qualquer ação defensiva. Isto representa um crescimento de 11% nos últimos três anos e 48% em relação a 1980.

O crescimento no número de home runs tende a piorar a sensação daqueles que já tem a opinião do beisebol ser um “esporte lento”, com pouca ação efetiva. Pouco se fala ainda sobre o papel do aumento de home runs neste aspecto, mas em um tempo em que iniciativas como a limitação de tempo entre arremessos para os pitchers é cogitada como uma opção possível para tornar o jogo de beisebol mais rápido e dinâmico, logo mais deverá ser percebido como um elemento que influencia a dinâmica de uma partida na MLB.

São diversos os aspectos que cercam este tema, como a maior valorização por parte dos scouts de jogadores mais fortes — até mesmo em posições em que isso não era tão exigido — quando avaliam os jovens talentos que farão parte da MLB no futuro, ou a suspeita — especialmente por parte dos arremessadores, é claro — de que a MLB fez mudanças na fabricação das bolas de modo a resultar em mais rebatidas explosivas.

Para mais informações sobre o tema, sugerimos que leiam a matéria mais completa que sairá na edição deste mês de setembro da Revista da Casa do Beisebol, quando analisaremos mais profundamente os impactos e as distintas opiniões sobre o que o cenário de aumento de home runs pode significar no presente e no futuro imediato da MLB.



Comentários? Feedback? Siga-nos no twitter em @casadobeisebol e curta-nos no Facebook.

About The Author

Torcedor do Philadelphia Phillies, mostra que a paixão pelo beisebol não é uma escolha racional. Cada dia mais viciado pelo esporte, passa metade do dia assistindo aos jogos, lendo textos sobre beisebol ou discutindo as trades no fantasy.

Related Posts

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.