O Kansas City Royals provavelmente vai entrar numa fase de reconstrução em 2017. E, quando times entram em reconstrução, a prioridade é despachar contratos grandes e ficar com veteranos com salário pequeno que são úteis para o time. Nesse cenário que os campeões de 2015 se encontram, Orlando está muito bem situado.

Indo para a terceira temporada nas Majors, o brasileiro começou o ano como titular dos Royals no campo externo e isso é uma excelente notícia. Uma das vantagens de Orlando é justamente a versatilidade, sendo um rebatedor destro capaz de jogar nas três posições do campo externo.

No cenário ideal para o treinador Ned Yost, Alex Gordon e Lorenzo Cain são jogadores intocáveis no campo externo contra destros — lado esquerdo e central, respectivamente. Sobra uma vaga no campo direito, que está totalmente aberta. Pode ser composta por Brandon Moss, ou Orlando, que estão pela vaga.

Mas o competidor de Orlando nesse time é Cheslor Cuthbert, também um rebatedor destro. Isso acontece pois Moss é um jogador que deve jogar como rebatedor designado na maioria das vezes, deixando Orlando com a vaga no campo direito. Mas se o brasileiro estiver atrás de Cuthbert no bastão, aí Yost pode usar a opção do nicaraguense como rebatedor designado e Moss de RF.

Correndo por fora, Jorge Bonifacio, que teve um excelente Spring Training e joga no campo direito, ainda deve passar algum tempo nas ligas menores antes de se firmar nas Majors.

A vantagem está para Orlando que, como sugere no primeiro jogo da temporada regular, deve atuar com frequência. O brasileiro é um bom defensor, versátil e acima da média contra rebatedores canhotos. Na última temporada, o brasileiro teve 30,7% de aproveitamento no bastão contra canhotos. Em wRC+, estatística que mede a produtividade do bastão dos jogadores, Orlando teve 14 pontos acima da média diante de LHP (114).

Se Orlando seguir como um rebatedor de qualidade contra canhotos, ele não deve ter dificuldades nem mesmo no campo esquerdo, em que Gordon é o titular por lá. Na última temporada, Gordon rebateu apenas 21,4% no bastão contra canhotos, com wRC+ de 80.

Orlando chegou a ser um dos melhores rebatedores contra canhotos em aproveitamento no bastão em 2016 (Getty Images)

Em linhas gerais, nos últimos 12 meses Orlando tem sido um rebatedor melhor do que Gordon contra canhotos, e numa MLB em que cada vez mais é valorizado o uso de platoons (estratégia que varia os rebatedores de acordo com o arremessador adversário), o brasileiro está em boa situação.

Outro fator que ajuda Orlando é o bom Spring Training que teve. Na pré-temporada, o brasileiro teve 28,8% de aproveitamento no bastão, com quatro home runs em 20 jogos. Foi o melhor Spring que Orlando teve desde que estreou no time principal dos Royals.

Além disso, é bem provável que Orlando continue com os Royals. Ainda sob contrato de novato, o time tem controle do contrato dele, através da arbitragem até pelo menos 2021 — quando ele terá 35 anos. Com salário baixo e muito tempo de controle da diretoria, ele se torna um jogador de ótimo custo benefício para a franquia.

Todos esses fatores estatísticos são complementados com uma excelente ética de trabalho, algo elogiado pelos companheiros de time. “Orlando é um jogador que se dedica todo dia, e sempre coloca o time em primeiro lugar”, de acordo com Yost, treinador dos Royals.

Orlando começa a temporada com ótimas expectativas. Como terceiro jogador de campo externo nesse time, provavelmente ele não vai ser enviado para as ligas menores ao longo do ano e deve passar todo ano com o time principal. Vindo de sua melhor temporada na MLB, o brasileiro pode se consolidar ainda mais em 2017.