Não existe palavra de consolação para quem perde um jogo 7 de World Series. Todos os jogadores e torcedores do Los Angeles Dodgers terão os infinitos  ”e se” passando por sua cabeça nas próximas semanas. Mas abril sempre chega. E os californianos voltam tão fortes quanto para 2018.

Mais do que tudo, a derrota na World Series para os Astros significa amadurecimento para muitos. Corey Seager e Cody Bellinger, dois jovens que prometem ter um grande futuro no beisebol, estiveram completamente apagados na série final da temporada. Bellinger chegou a bater o recorde de strikeouts sofridos numa única pós-temporada com 29, superando os 27 de Aaron Judge (também dessa temporada), mas ele é jovem, muito jovem e foi uma das principais peças de um time avassalador durante a maior parte do tempo. Vai vencer o prêmio de novato do ano na Liga Americana com apenas 22 anos e já disputou uma World Series sendo uma das peças chaves de seu time. ainda há muito para o rebatedor evoluir.

Dave Roberts, que foi um dos melhores managers de toda a temporada, cometeu erros significativos neste Fall Classic. Talvez por falta de experiência, talvez por erros de avaliação, vai saber. Outro que sai com o aprendizado para anos futuros. Fato é que Roberts, com o pouco tempo que está no comando dos Dodgers, já mostrou que é um dos treinadores de maior potencial no beisebol e que pode revolucionar a função nos próximos anos.

Além destes, Chris Taylor, Justin Turner, Clayton Kershaw, Kenley Jansen, Rich Hill, Alex Wood, todos estes voltam para o próximo ano. Se o beisebol fizer sentido nos próximos anos, essa não será sido a única World Series disputada por essa geração dos Dodgers.

Chris Taylor ainda tem muito mais a oferecer com os Dodgers (Getty Images)

O trabalho é muito bem feito, e o time voltará mais uma vez como um dos favoritos para o título em 2018, e possivelmente, mais cascudos ainda. Pegando como exemplo, tal como o Kansas City Royals, que após perder o título em sua própria casa também em um jogo 7, se reestruturou e voltou ainda melhor para repetir o título da Liga Americana no ano seguinte, e nessa oportunidade, com a World Series conquistada.

Ainda tem o fato de que os Dodgers criaram uma cultura extremamente positiva de encontrar “achados” dentro da equipe. Taylor é um exemplo disso, um jogador que até pouco tempo era relativamente desconhecido e de repente virou um dos principais atletas da Liga Nacional. Enrique “Kike” Hernandez também é outro que cresceu aos poucos até virar útil no sistema.

É um time que não precisa, necessariamente, gastar rios de dinheiros ou queimar prospectos para encontrar peças úteis. Os Dodgers são administrados através de uma cultura de valorizar o máximo seus jogadores dentro da organização (isso inclui todos os níveis das ligas menores), algo que vem de Andrew Friedman — diretor do time que já trabalhou ao lado de Joe Maddon no Tampa Bay Rays e montou excelentes equipes por lá com recursos escassos.

Julio Urias, Walker Buehler, Yadier Alvarez, nomes jovens do farm californiano que prometem figurar entre o time principal nos próximos anos. Os Dodgers não são apenas dinheiro, e mostram isso a cada ano.

Foi uma derrota doída, nos detalhes, com muitos ”e se”. A seca agora pendura por 29 anos, mas acredite, o mundo está longe de acabar em Los Angeles — muito pelo contrário.