Não há como ser melhor do que Hunter Greene com 17 anos. Ainda sem terminar o High School (ensino médio), ele arremessa a 102 milhas por hora, tem três arremessos que empolgam os olheiros (rápida, slider e changeup) e também é um arremessador excelente. Como se não bastasse tais credenciais que certamente o colocariam como uma escolha top 10 no próximo draft, Greene é um excepcional shortstop. Muita força no bastão, maduro acima da média para alguém tão novo e que na defesa é um dos melhores do país entre atletas do HS.

“Ele é uma mistura de Noah Syndergaard com Alex Rodriguez. Em toda minha carreira, nunca vi nada parecido”, disse um scout da MLB em entrevista ao site Sports Illustrated.

Vale salientar que tais comparações não acontecem todos os dias. Syndergaard, candidato ao prêmio Cy Young, é o melhor arremessador do New York Mets e um dos cinco melhores abridores do mundo. Constantemente ele arremessa a 100 milhas por hora, e tem uma slider que toca as 95. Alex Rodriguez, já aposentado, foi um dos jogadores mais valiosos do beisebol no começo da última década. Um shortstop com bastão espetacular, ele também era um ótimo defensor e corria as bases muito bem.

Nato para o jogo

Greene nasceu para jogar beisebol. Aos seis anos ele começou a praticar o esporte, e desde então tem respirado beisebol todas as semanas da vida. Ele nunca hesitou em jogar outra coisa, e quando tinha 10 anos já era uma estrela local. “Há um dilema sobre a posição dele há muito tempo”, disse um dos treinadores de Greene.

O físico impressiona. Com 1,95m de altura, Greene ainda está na fase de crescimento e provavelmente vai ultrapassar a marca dos dois metros. Quando estiver na MLB — e isso é só uma questão de tempo — ele será um dos jogadores mais altos da liga (atualmente o jogador mais alto em atividade é Kameron Loe, do Atlanta Braves, com 2,07m).

Greene tem um swing muito desenvolvido para a idade (Getty Images)

A ética de trabalho de Greene é impecável, e os olheiros se derretem por isso. “É impressionante como esse cara respira beisebol o tempo todo, e é completamente focado com isso. Não há nada que você possa dizer sobre a vida externa de Greene”, disse um executivo da MLB.

No último ano do High School, as estatísticas são impressionantes, e Greene lidera a maioria no ataque e na defesa. Em quatro temporadas em Notre Dame HS, ele tem ERA de 1,62 em 121,1 entradas arremessadas. No bastão, aproveitamento de 34,5% com 13 home runs em 112 jogos. Além disso, nesta temporada, a bola rápida mais “lenta” registrada foi de 95 milhas — o que é acima da média da MLB atualmente, por exemplo.

Em alguns testes para olheiros, Greene já mandou a bola para o outro lado do muro em dois estádios da MLB: Wrigley Field e PETCO Park (que é um dos maiores da liga). Isso dá para ter uma noção de como a força natural do garoto é presente, mesmo em estádio de gente grande.

“Ele lança de uma end zone até a outra end zone (futebol americano) em linha reta”, disse Justin Rorick, catcher de Green há sete anos. “Para mim isso é mais impressionante do que arremessar a 102 milhas por hora.”

O que vai ser de Greene no futuro?

Sobre o futuro de Greene na MLB, há muitos dilemas, e ainda é incerto qual caminho a estrela vai percorrer. Para Alan Jaeger, treinador de arremessadores do ensino médio na Califórnia e que trabalha com o garoto há quase 10 anos, Greene poderia muito bem ser um fechador e rebatedor designado. Uma espécie de Aroldis Chapman mandando 20 bolas para o outro lado do muro e rebatendo acima de 25,0% é uma possibilidade.

Scouts projetam que Green estará nas Majors quando estiver 20 anos (AP)

Mas, caso Greene vá para essa opção mais segura de ser fechador e DH, ele perderia a defesa na posição de shortstop — que é algo bastante valioso no beisebol. E no bullpen perde as entradas que ele poderia ter como abridor.

Enquanto a maioria dos jogadores se matam para ter uma defesa boa como shortstop, Greene consegue ter isso com naturalidade. É assustador um atleta que arremessa bem a 100 milhas por hora ainda não ter certeza se vai seguir a carreira como arremessador.

“Se ele não se machucar, não há um cenário plausível que você enxergue Greene fora da MLB no futuro. Ele é o que os olheiros procuram no montinho e no bastão, e perfeito para o jogo das Majors”, afirma um olheiro da MLB.

Chance de fazer (mais) história

Para o próximo draft, Greene é uma certeza entre as primeiras escolhas. No entanto, há uma desconfiança natural entre os jogadores do ensino médio. Um pré-conceito já demonstrado pelos olheiros e executivos, algo que ficou ainda mais forte após a filosofia Moneyball de Billy Beane — que prioriza quase que exclusivamente os jogadores universitários — funcionar com excelência há muito tempo.

Até hoje, nunca na história da MLB um arremessador destro, saindo do ensino médio, tornou-se a primeira escolha do draft. Greene pode muito ser quebrar esse tabu, mas parece que o Minnesota Twins vai passar na oportunidade de selecionar Greene no topo do recrutamento — que acontecerá no próximo mês — e ficar com o rebatedor Brendan McKay. Ao que tudo indica, o Cincinnati Reds, com a segunda escolha do recrutamento, vai selecionar o atleta de Notre Drame.

Visando o draft, no final de abril Greene desligou-se para o resto da temporada do ensino médio para preservar o braço. Mas não há nenhuma lesão que motivou o destro a tomar tal decisão, e ele continua treinando normalmente como shortstop e arremessador.

Caso Reds e Twins desistam de Greene, ele é escolha certa para os Padres na terceira do draft. Seria um encaixe perfeito para Greene, que é da Califórnia (SI)

Seja como shortstop, abridor, fechador, rebatedor designado ou fazendo de tudo um pouco, Greene é um dos melhores prospectos da história do beisebol saindo do ensino médio. “Provavelmente ele vai chegar como um prospecto top 5 nas listas da MLB.com”, de acordo com um executivo da MLB.

Olho em Hunter Greene. Essa está longe de ser a primeira (ou as primeiras) vez(es) que você lê sobre esse fenômeno de Notre Dame.


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About The Author

Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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