Uma das esperanças para o futuro do beisebol brasileiro no campo interno é certamente Mateus Vakuda. Aos 22 anos, o brasileiro, que atua na universidade de Ohio (Estados Unidos), tem uma trajetória de destaque no college norte-americano e muita ambição para crescer no esporte.

Para a Casa do Beisebol, conversamos com Vakuda em uma entrevista exclusiva, e o infielder brasileiro contou sobre sua carreira, planos para o futuro e outros diversos assuntos.

Última temporada em Ohio

O brasileiro começou sua trajetória acadêmica em uma Junior College, na Califórnia, e teve que ser transferido para uma universidade maior. “Depois de ter tido uma temporada boa lá, a universidade de Ohio me ofereceu uma bolsa e minha meta sempre foi jogar em divisão 1, além da universidade ser muito famosa pela parte acadêmica também.”

Vakuda está no último ano de universidade em Ohio, e tem brigado por vaga de titularidade na universidade. No entanto, o brasileiro conta que a competição na equipe tem sido muito grande, dificultando a função de titular em definitivo do time. “Esse ano está sendo diferente dos outros porque comecei mal a temporada na parte defensiva. Dois erros meus no começo da temporada foram o suficiente para o técnico experimentar outros jogadores no infield, que acabaram respondendo muito bem”.

Vakuda teve aproveitamento no bastão de 23,2% no ano passado (Arquivo pessoal)

Para o brasileiro, a ação tem chegado mais como pinch runner e pinch hitter. “Fui um dos melhores do time na parte ofensiva na pré-temporada, então tenho tido essas funções ofensivas”.

O jogador conta que a qualidade do time impressiona, e o estilo de jogo conservador são fatores que privilegiam mais a defesa. “A filosofia do meu time é bem conservadora, então meus técnicos não sacrificam defesa por ataque, tanto que hoje somos o segundo melhor time defensivo do país inteiro em divisão 1 da NCAA, o nível que jogadores como Brandon Crawford e Dansby Swanson saíram, por exemplo”.

Com o draft da MLB batendo na porta (será realizado em junho), o jogador brasileiro sonha em ser escolhido por alguma equipe do melhor beisebol do mundo, mas diz que não é a prioridade. Para Vakuda, o foco principal é ganhar jogos e o time está focado nisso. “Ser draftado é uma consequência. Aqueles que estiverem no nível necessário vão ser ser escolhidos.”

Perto de concluir sua trajetória no beisebol universitário, Vakuda conclui que foi uma passagem muito boa. Para o brasileiro, o aprendizado foi grande também pela quantidade de jogos todos os anos, o que leva ao aperfeiçoamento maior do beisebol.

Tem muita coisa que eu aprendi que eu não aprenderia jogando só nos finais de semana no Brasil e muita coisa que é ensinada no Brasil, mas os americanos condenam. Então pude ver os dois lados da moeda. Obviamente eu queria ter mais tempo de jogo nesse meu último ano, mas ainda temos no mínimo 20 jogos até o final de maio e eu vou ter oportunidades como titular ainda.

A tarefa de conciliar estudos com beisebol

Vakuda conta que a intensidade de jogos é grande, e que a rotina acaba sendo pesada pelo tempo destinado ao beisebol e a parte que precisa ser focada para os estudos. O que também adiciona na carga horário é o fato de que muitos treinam por contam própria, para aperfeiçoar as habilidades.

Para exemplificar melhor, o jogador contou um dia de rotina:

Hoje, por exemplo, fui para a “gaiola” às 8h da manhã com mais um amigo porque ele precisava de dicas pra treinar o bunt, que tem sido uma das minhas especialidades no time. Às 9h40, eu estava em aula. Às 12h30, nosso ônibus sai para irmos a Cincinnati. Nosso jogo começa às 18h e vamos estar de volta a universidade umas 23h30-0h, e temos que acordar cedo amanhã pra musculação às 7h45. Tudo isso enquanto estudamos para as provas e projetos para o final do semestre na semana que vem. Então a administração do tempo é uma habilidade importante, cada hora que você perde no dia com distrações faz muita diferença.

Futuro na seleção, geração olímpica e necessidade de mais jogos

Um dos jogadores mais talentosos do campo interno brasileiro, Vakuda tem nível técnico para jogar na seleção atualmente e com seu potencial pode ser um dos melhores da seleção no futuro. No entanto, com o término da faculdade se aproximando, o brasileiro ainda tem o futuro no beisebol indefinido.

Em 2016, Vakuda começou 15 dos 23 jogos da equipe como titular (Arquivo pessoal)

“Com certeza eu gostaria de jogar pela seleção nas olimpíadas. Mas isso vai depender de como as coisas vão acontecer depois dessa temporada”. Para Vakuda, o maior desafio vai ser manter a boa forma até 2020, principalmente se não estiver jogando profissionalmente por alguma equipe. “Vou continuar treinando e fazendo o possível para estar pronto”.

O jogador elogiou a geração atual, e acredita que o beisebol está sendo bem desenvolvido no Brasil. “A gente sabe da geração nova que tem muitas oportunidades de causar impacto no beisebol profissional. Além dos outros jogadores como Thyago, Reginatto, Gohara, Missaki, Bo, Paz, Maciel, etc que já estão mais próximos do objetivo”.

No entanto, um dos pontos que Vakuda acredita que há espaço para melhorias é a quantidade de jogos. “Temos jogadores com todas as ‘ferramentas físicas’, mas aumentar a quantidade de partidas é essencial para a geração mais nova”.

Jogamos muito pouco no Brasil. Essa é uma vantagem de outros países sobre nós. Aqui eles falam sempre “close the gap between your performance and your maximum potential“. Isso quer dizer que tem uma diferença entre o potencial máximo de um atleta e aquilo que ele realmente produz nos jogos, a sua performance. Você vê muito jogador com potencial alto, com as ferramentas certas, mas que não produz nos jogos. O objetivo é diminuir a diferença o máximo possível e conseguir produzir aquilo que é seu potencial máximo. Aqui eles dizem que essa diferença você só diminui quando o jogador tem um espírito competitivo, é a competitividade de cada jogador que faz isso. Mas competitividade não se desenvolve treinando, se desenvolve jogando. Por isso acho importante aumentar a quantidade de jogos pra essa geração mais nova, para prepará-los para a competição no nível profissional, ou universitário.

Com 22 anos, bom potencial e uma grande mentalidade, Vakuda certamente será de grande ajuda e importância para o beisebol nacional, sendo dentro ou fora de campo.