Na última semana, provavelmente você viu em algum lugar que todos os nove jogadores que receberam a qualifying offer (oferta qualificatória, em tradução literal) rejeitaram a proposta de seus respectivos times. Entre esses atletas, estão Lorenzo Cain, Lance Lynn e Jake Arrieta. Mas o que diabos isso significa?

Não muita coisa, a qualifying offer é um procedimento padrão na MLB e pode ser aplicada a qualquer free agent que passou o ano inteiro no mesmo elenco e que nunca recebeu uma qualifying offer antes. No entanto, poucos jogadores recebem, pois é um contrato curto de um ano no valor de US$ 17,4 milhões. Esse salário é pré-estabelecido e não pode ser mudado. A MLB chega nesse número de US$ 17,4 milhões calculando a média dos 125 jogadores mais bem pagos da liga.

Após recebida a qualifying offer, o jogador tem 10 dias para pensar se aceita ou não. Nesse caso, como todos os atletas deste ano rejeitaram a qualifying offer, isso significa que todos eles estão disponíveis para a free agency sem nenhum empecilho.

Muitos times oferecem a qualifying offer sabendo que as chances do jogador aceitá-la é muito pequena. É um exemplo de Arrieta, por exemplo, que nunca aceitaria uma oferta de um ano a apenas US$ 17,4 milhões, sendo que ele pode conseguir muito mais do que isso. Esse tipo de oferta muitas vezes só é aceitada por jogadores medianos que fazem uma boa temporada, como Jeremy Hellickson (então no Philadelphia Phillies) em 2016.

No caso de Arrieta e de muitas estrelas, por exemplo, quando o time oferece a qualifying offer e ela é rejeitada a equipe ganha uma escolha no próximo draft se esse free agent assinar por qualquer outro time na offseason. Há alguns termos para isso, e vamos usar Arrieta como exemplo:

  • Se Arrieta assinar um contrato por mais de US$ 50 milhões (e provavelmente vai), os Cubs irão ganhar uma escolha no draft compensatório (que é o equivalente ao segundo round do draft);
  • Se Arrieta assinar por menos de US$ 50 milhões, os Cubs irão ganhar uma escolha no draft compensatório de classe B (que acontece após o segundo round do draft).

Alguns termos

Há alguns termos que incrementam essa história. Se o time que contratou Arrieta, supondo que o Los Angeles Dodgers, tenha excedido o teto salarial na temporada anterior (e realmente excedeu), o time irá perder a segunda e quinta escolhas mais altas no draft de 2018 — assim como US$ 1 milhão a menos no bônus de free agents internacionais (quando prospectos estrangeiros de 16 anos são assinados no dia 2 de julho).

Se uma equipe com baixa condição financeira (determinada através de cálculos realizados pela MLB) contratar algum jogador que rejeito a qualifying offer, esse time deixará de ter a terceira escolha mais alta no draft seguinte.

Se a equipe não exceder o piso salarial e nem ter baixa condição financeira, ela perde US$ 500 mil no bônus de free agents internacionais e perde uma escolha no draft de terceira rodada.

Ou seja…

qualifying offer é vista como uma manobra para os times garantirem uma escolha no draft a mais no ano seguinte, caso não consiga reassinar com os seus jogadores. No caso do Kansas City Royals, por exemplo, isso é excelente agora, visto que o time deve ganhar pelo menos três escolhas no draft com as eminentes saídas de Mike Moustakas, Cain e Eric Hosmer — todos receberam e rejeitaram a qualifying offer. 

Em algumas vezes, se as equipes julgarem que o free agent que rejeitou a qualifying offer não é válido de perder uma escolha no draft por causa dele, o jogador sai prejudicado. Há alguns exemplos práticos disso no passado recente, como Stephen Drew, que rejeitou qualifying offer e ficou meses procurando um time que arriscasse assinar com ele e assim perder uma valiosa pick no draft.

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Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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