Na primeira ida ao bastão da Arizona Fall League (liga de outubro-novembro que reúne os melhores prospectos da MLB), Ronald Acuña não perdoou ao bater um home run que atingiu o total de 410 pés. Foi só o começo de uma minitemporada na AFL em que ele foi nomeado o MVP, campeão e teve a impressionante linha de 32,5%/41,4%/63,9% com sete home runs em 23 jogos.

O desempenho na AFL — contra os melhores arremessadores prospectos do beisebol — não foi um ponto fora da curva, e sim serviu para o mundo do beisebol ter mais uma certeza sobre o talento do venezuelano. Com apenas 19 anos, Acuña já é um rebatedor pronto para a MLB e será surpreendente se ele ficar de fora do elenco do Atlanta Braves no opening day de 2018.

Não se culpe caso você não conhecesse Acuña antes de 2017. Um prospecto internacional vindo da Venezuela assinado com os Braves em 2015 por US$ 100 mil, o outfielder (joga preferencialmente na esquerda, mas pode se adaptar a qualquer posição no OF) não pintava como um fenômeno antes deste ano começar — em 2015 e 2016 combinou para apenas 97 jogos. Ele tinha mostrado muito talento nas duas primeiras temporadas, mas nada de muito conclusivo.

Aí veio 2017, um ano para ficar marcado na vida de Acuña e para adicionar um caminhão de otimismo nas expectativas dos torcedores do Braves. Ele começou o ano ainda na A+, o que é normal para um prospecto de 19 anos. Só que a ascensão foi tão repentina que três meses depois ele estava brilhando na Triple-A. Na AAA, Acuña rebateu para incríveis 34,4% de aproveitamento no bastão com nove home runs em 54 jogos.

A produtividade está lá, e os números não negam o estrago que Acuña faz nas ligas menores. Mas, além disso, há outros fatores que o tornam ainda mais especial e aumentam as expectativas para o futuro.

O principal é a capacidade de Acuña, mesmo sendo um jogador com porte físico mais franzino do que a média, tem de rebater para longe. “A coordenação de mão com visão que ele tem é impressionante. A velocidade no bastão torna tudo muito especial. Me lembra Andrew McCutchen”, diz o analista Buster Olney.

Acuña tem o raw power classificado como 55/60 na projeção do Fangraphs (Getty Images)

Acuña projeta como um rebatedor capaz de mandar 30 bolas para o outro lado do muro na MLB, e ainda fazer isso com ótimo aproveitamento no bastão e capacidade de chegar em base através de walks. Para um jogador de 19 anos, é absurdo o jeito maduro e consciente como ele rebate.

“Precisamos lembrar toda hora que estamos falando de alguém com 19 anos. Não é nada normal ser tão bom nessa idade”, revela um executivo da MLB que não quis revelar sua identidade em reportagem no site MLB.com.

Muitas comparações são feitas com outro grande prospecto, Victor Robles (Washington Nationals), que atualmente ocupa a segunda colocação dos 100 melhores prospectos da MLB — enquanto Acuña está em sexto. A diferença entre os dois, portanto, é que Robles é um jogador mais equilibrado e a personificação de five-tool player.  Já o venezuelano consegue ser mais espetacular no bastão, e um pouco menos presente nas bases.

É historicamente raro jogadores de 20 anos jogando bem na MLB, e Acuña pode ser essa raridade em 2018. Nesta temporada recém-finalizada, por exemplo, nenhum rebatedor com essa idade entrou em campo.

Na era moderna (1901-presente), apenas 10 rebatedores com 20 anos conseguiram terminar a temporada com WAR positivo. O último grande destaque vindo de alguém tão novo assim veio com Bryce Harper, em 2012. Antes dele, só Ken Griffey Jr., em 1989. Uma companhia extremamente que Acuña pode se juntar no próximo ano.

“Não há motivos para não se empolgar com esse garoto. É claro que queremos ele conosco para 2018, é um jogador extremamente talentoso” afirma Brian Snitker, treinador dos Braves.

Claro que projetar a concretização do talento dos prospectos é, geralmente, complicado e imprevisível. Ainda mais para alguém tão novo. Mas para Acuña, parece que a normalidade não aflige o garoto. Completamente fora da curva e especial, não dá para duvidar que o garoto chegará chutando a porta na MLB. Mesmo se isso não acontecer logo em 2018, Acuña é um fenômeno e tem talento para brilhar por muito tempo.

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Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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