JD Martinez entrou na offseason com um dos jogadores mais badalados da classe de free agents. Um outfielder que tem sido um dos cinco melhores rebatedores da MLB nas últimas três temporadas e aos 30 anos, não é surpresa o fato de que ele é o cara a ser procurado por times que pensam grande e que precisam adicionar um grande bastão no meio do lineup. Só que Martinez não é uma escolha certa nessa offseason, e o caso dele é o grande responsável por uma free agency tão lenta e sonolenta.

Estamos já na segunda semana de janeiro, e os principais free agents rebatedores ainda continuam sem casa nova — como Mike Moustakas, Eric Hosmer, Lorenzo Cain e, claro, Martinez.

O valor de Martinez

Scott Boras, empresário de Martinez, é conhecido por ser um agente muito paciente e que espreme o máximo de centavos possíveis nos contratos que arranja. Ele representa uma grande fatia de jogadores, e é um negociador nato de talentos — revolucionou o sistema de free agents, inclusive. Boras é uma lenda no assunto, como se fosse um Miguel Cabrera dos contratos.

Boras é responsável pelo contrato gigantesco de Max Scherzer, por exemplo (Getty Images)

Como Boras não é bobo, ele sabe que Martinez tem mercado e que, tratando-se de um jogador com 30 anos e com problemas de contusões nas últimas temporadas, o tempo de contrato aqui é crucial para o vínculo ideal que o empresário busca com o seu cliente. Especulações apontam que, quando a free agency começou, Boras estimava um contrato de US$ 200 milhões e sete anos para Martinez — o que daria a absurda média de US$ 28,5 milhões por ano, que seria a maior da história por um outfielder.

Martinez não merece tanta grana assim e nem sete anos de contrato por uma série de motivos. O primeiro é aqui, apesar de ser um rebatedor elite — sua produtividade está ao lado de Paul Goldschmidt nos últimos três anos, por exemplo —, Martinez não adiciona em praticamente nada nos outros aspectos do jogo. É um defensor ruim, não sabe correr bem as bases e precisa ficar “escondido” em algum corner do campo externo. Portanto, a equipe que contratá-lo vai escolher o seu bastão, e na MLB há casos infinitos de jogadores que passaram a cair de produtividade no ataque após os 33 anos.

Além disso, pedindo um contrato de sete anos, Martinez teria sentido na Liga Americana — afinal, é bem provável que após quatro anos de contrato ele seja um rebatedor designado. Portanto, o que Boras pediu, logo no início, ficava viável apenas para times da Liga Americana — e os dois principais concorrentes a Martinez sempre foram o San Francisco Giants e o seu atual time (Arizona Diamondbacks), ambos de Liga Nacional.

No range realista de Martinez, ele deve assinar por algo em torno de cinco anos de contrato, no máximo seis com alguma cláusula favorável ao time. Numa MLB moderna em que os contratos longos são cada vez mais olhados com insegurança, provavelmente ele não vai ter vínculo garantido após os 36 anos.

Como isso tem travado o resto do mercado

Moustakas e Hosmer também são representados por Boras. Hosmer que, inclusive, tem duas ofertas na mão — do Kansas City Royals e do San Diego Padres. Mas é provável que o primeira base não assine com ninguém enquanto a situação de Martinez não se resolva. O fato de Boras ter o poder de negociar com os três melhores rebatedores free agents da offseason mostra como ele tem o controle da situação.

Eric Hosmer e Mike Moustakas não devem continuar juntos mais (Getty Images)

Digamos que, hipoteticamente, Martinez consiga assinar por sete anos e com um contrato acima de US$ 180 milhões, dessa maneira o valor de Hosmer, 28, subiria no mercado e seria inflado pelo que o mercado está pagando por grandes rebatedores. O mesmo aconteceria com Moustakas.

Esse efeito foi muito visível na última intertemporada, quando Mark Melancon foi o primeiro grande fechador a assinar e, quando ele fechou o contrato com o San Francisco Giants por quatro anos/US$ 62 milhões, o resto do mercado de fechadores elite estabeleceu-se nesse padrão. Tanto é que depois disso, Aroldis Chapman fechou por cinco anos/US$ 86 milhões e Kenley Jansen por cinco anos/US$ 80 milhões.

O favorito para Martinez

O time que teria mais sentido para Martinez seria sem dúvida o Boston Red Sox. O Green Monster cairia igual uma luva para o rebatedor, assim como o fato de ter a opção de rebatedor designado para os últimos anos de contrato. Só que o campo externo de Boston já está fechado, com Jackie Bradley Jr., Andrew Benintendi e Mookie Betts. Além disso, na vaga de rebatedor designado, Hanley Ramirez já está estabelecido por lá e a opção dele jogar na primeira base parece inviável após Boston ter renovado por duas temporadas com Mitch Moreland.

Portanto, para Martinez realmente ter vaga em Boston, alguma troca no outfield deveria se realizar, o que sobraria para Bradley Jr. — visto que Betts e Benintendi são praticamente intocáveis. No entanto, é improvável que Boston abra mão de Bradley Jr., que é um excelente defensor e o time ainda tem mais três anos de controle sobre ele. Perder Bradley Jr. seria um grande problema para a defesa no outfield.

Com isso, na Liga Americana o concorrente sério é o Toronto Blue Jays, que ainda não sabe o que quer da vida — a franquia ainda não decidiu se Josh Donaldson vai ser negociado ou não. Na Liga Nacional, Giants é um destino possível, visto que a franquia está desesperada para voltar aos bons tempos e tem dinheiro para sustentar um mega contrato. Arizona corre por fora, pois é um time que considera negociar veteranos (como Zack Greinke) para limpar a folha salarial.

Por mais que Martinez seja um excelente rebatedor, o mercado não está muito grande para um jogador desse calibre. Ao que tudo parece, a disputa vai ficar entre Giants e Diamondbacks.

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Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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