Dia 25 de abril, final do primeiro mês da temporada 2017 da MLB. Los Angeles Dodgers vinha passando dificuldades com uma campanha de 10 vitórias e 11 derrotas, muito por culpa de um ataque anêmico com grandes dificuldades de produzir corridas, especialmente rebatidas de potência e home runs. É até difícil pensar que o poderoso Dodgers e sua campanha histórica na atual temporada da MLB — de longe a mais vitoriosa entre as equipes de ambas as ligas — já passou por dificuldades no início do ano.

A solução encontrada pela foi chamar o top-prospect da franquia, Cody Bellinger, para a equipe principal. Bellinger vinha fazendo um ótimo início de temporada no Triple-A do Dodgers, com uma slash line de .338/.419/.631, cinco home runs, 15 corridas impulsionadas em apenas 65 at-bats. A lesão de Joc Pederson no final do mês de abril foi a deixa perfeita para a entrada de Bellinger na equipe.

Bellinger, com então 21 anos, viria para prover a potência no bastão de canhotos que os Dodgers tanto necessitavam. Ele havia sido draftado apenas na quarta rodada do draft de 2013, tendo mostrado rápida evolução nas equipes menores, chegando na temporada 2017 sendo ranqueado como o sétimo melhor prospecto da MLB segundo o Baseball America. O jovem jogador ainda possuía uma importante versatilidade defensiva, tendo jogado tanto na primeira base quanto no campo externo esquerdo e direito em seus anos de minor leagues.

O que muitos não devem saber é que o pai de Cody, Clay Bellinger, também foi um jogador profissional de beisebol. Clay deve ter sido um dos jogadores “insignificantes” mais sortudos na história da MLB. Foram apenas quatro temporadas na major league, entre 1999 e 2001 com o New York Yankees, e 2002 com o Anaheim Angels totalizando apenas 311 at-bats em todos estes anos (com uma produção no bastão de .193/.257/.363, 11 home runs, 35 corridas impulsionadas e 57 corridas anotadas).

Apesar do currículo não muito chamativo, o pai de Cody tem um incrível aproveitamento de três anéis ganhos em apenas quatro temporadas, com o Yankees em 1999 e 2000 e com o Angels em 2002 (apesar de ter tido apenas um at-bat em toda a temporada regular e não ter participado da pós temporada com o time da Califórnia). Já para Cody a história é diferente, e é evidente que o talentoso jogador veio para ficar por muito tempo na MLB.

As duas primeiras temporadas de Bellinger no farm não foram muito animadoras. Foram apenas quatro home runs em 377 at-bats nas duas primeiras temporadas nas rookie leagues. Foi em 2015 que o talento de Cody começou a despontar, totalizando 30 home runs em 478 at-bats, mais ainda com batting average (.264) e on-base percentage (.336) que não chamavam muito atenção na Class-A Advanced (um nível intermediário no farm system entre a Single-A e a Double-A). Já em 2016 a evolução foi maior, apresentando 29 home runs e uma line de .277/.374/.515 em 480 at-bats entre a Double-A e a Triple-A do Dodgers.

Pouquíssimos jogadores na história chegaram à MLB tão bem como Bellinger (AP)

Bellinger foi um dos primeiros jovens talentos a serem chamados das minors para a major league ao longo desta temporada, e sem dúvida é o que teve mais impacto até então (lembrando que Aaron Judge já iniciou a temporada no elenco principal do New York Yankees). Os Dodgers não tiveram receio em chamar o jovem prospecto logo no início da temporada — ao contrário de algumas franquias que temem “queimar” os prospectos, como o caso do New York Mets e sua enorme relutância em chamar seu top prospect, Amed Rosario, para a major nesta temporada  e vem colhendo os frutos desta decisão.

Durante boa parte da temporada, Bellinger foi o líder em home runs na Liga Nacional (atualmente Giancarlo Stanton, outro que vem fazendo uma temporada absurda, o passou). Isso tendo jogado praticamente um mês a menos que seus concorrentes. E jogando a maior parte dos jogos não no diminuto campo direito do Yankee Stadium ou nas alturas de Colorado, mas sim no Dodgers Stadium, um dos estádios mais pitcher-friendly e difíceis de se bater home run da MLB.

Subir para a major e ter um impacto grande assim como vem tendo o jogador dos Dodgers não é algo muito usual. O próprio Judge só foi explodir este ano, após 84 at-bats sem muito destaque em 2016. Porém, mais do que apenas uma boa temporada de calouro, Bellinger representa uma mudança nas tendências predominantes na MLB, como já abordou Vinícius Veiga neste ótimo texto. O jogador representa perfeitamente a união das características mais buscadas pelos scouts atuais, a força e a versatilidade. Assim, se tem a força que garante um maior percentual de rebatidas multibases e home runs, aliada ao atleticismo que permite uma bom jogo defensivo e garante possibilidades de ocupar várias posições em campo.

Bellinger também vem marcando história nos Dodgers, alcançando neste mês de agosto o recorde de home runs por um rookie de Los Angeles, Mike Piazza, com 35 bolas para fora do estádio em 1993. E isso com menos jogos do que Piazza necessitou naquela ocasião, 149 partidas e 547 at-bats. Mantendo a média de home runs por aparição no bastão, Bellinger terminaria a temporada com 46 home runs, o que o colocaria em terceiro dodger com mais home runs em uma temporada, atrás apenas de Shawn Green (49 em 2001) e Adrian Beltre (48 em 2004). São diversas outras marcas que Bellinger alcançou ou está em vias de conseguir — sempre ligadas à rebatidas de potência —, como ser o jogador que mais rapidamente conseguiu bater 22 home runs na história da MLB.

Swing de Bellinger é trabalhado cuidadosamente para explorar as bolas rápidas (Getty Images)

Não à toa o jogador é em um “empate técnico” com Giancarlo Stanton, quem tem a melhor marca de isolated power (estatística que mede a “força bruta” de um jogador, que melhor traduz sua capacidade de rebater home runs e rebatidas multibases), bem à frente dos outros concorrentes na Liga Nacional, como Charlie Blackmon e Bryce Harper.

Bellinger nada de braçadas na disputa para Rookie of the Year da Liga Nacional nesta temporada. Mais do que merecido para um jogador que, além de mudar o desempenho do ataque dos Dodgers na temporada, representa as principais mudanças que vemos atualmente na MLB. É o que alguns especialistas chamar de “nova era de explosão pós-esteroides”, representada por jovens talentos com atleticismo, versatilidade defensiva e bastante poder no bastão, como Mike Trout, Bryce Harper, Kris Bryant, Aaron Judge, Corey Seager e, claro, Cody Bellinger. Uma coisa é quase certa: ainda veremos muita coisa boa de Bellinger nos próximos anos.


Comentários? Feedback? Siga-nos no twitter em @casadobeisebol e curta-nos no Facebook.

About The Author

Torcedor do Philadelphia Phillies, mostra que a paixão pelo beisebol não é uma escolha racional. Cada dia mais viciado pelo esporte, passa metade do dia assistindo aos jogos, lendo textos sobre beisebol ou discutindo as trades no fantasy.

Related Posts