Um Cy Young em 2015, outro líder de ERA em 2016 e um dos melhores arremessadores canhotos dos últimos dez anos. Jake Arrieta, Kyle Hendricks e Jon Lester compõem o que parece ser, a primeira vista, um dos melhores trios de arremessadores da atualidade. E, hoje, 31 de março, é completamente cabível classificar esse trio dessa maneira. Mas com o passar do tempo, ainda em 2017, isso pode mudar.

Jon Lester

Lester chegou a temível marca das duas mil entradas arremessadas na carreira. Aos 32 anos, o canhoto está naquele ponto preocupante para os abridores. No beisebol, mais do que em outros esportes, a idade não é tão relevante quando se trata de auge físico. Para os arremessadores, o que mais importa nesse caso é o desgaste. E chegar a duas mil entradas é uma red flag.

O canhoto ainda não começou a cair de produção. Em 2016, teve ERA de 2,44, ficou em segundo na votação para Cy Young e foi muito importante na pós-temporada. No entanto, entre os arremessadores com mais entradas arremessadas em atividade, Lester já é o 15° da lista. Nesta, liderada por Bartolo Colón, ele é o único jogador que ainda está no auge da carreira.

Além disso tudo, o desgaste recente tem sido muito acentuado para Lester. Desde 2012, ele é o sétimo arremessador com maior número de entradas arremessadas (1.046). E também são quatro pós-temporadas seguidas, ou seja, a temporada para ele começa em março e só e termina em outubro.

É uma carga de trabalho muito grande, estresse no braço que tende a ceder após as duas mil entradas na carreira. Vários exemplos recentes regem a essa linha, como Zack Greinke e Felix Hernandez. Como esses exemplos, ainda são jogadores de qualidade e de alto nível, mas que não estão no auge físico da carreira. Não se surpreenda se o próximo da lista for Lester.

Jake Arrieta

Arrieta vem para o último ano de contrato (Getty Images)

Era extremamente difícil Arrieta repetir o 2015 inspirado. Naquela temporada, o arremessador dos Cubs foi o melhor da liga, com ERA surreal de 1,77 e vários recordes quebrados com sua cutter sensacional. No entanto, em 2016, a regressão bateu. O ERA continuou bom, mas foi para 3,10. O FIP também subiu, para 3,52. Virou o terceiro melhor arremessador do time, atrás de Lester e Hendricks.

Mas a regressão natural de 2015 para 2016 não é o que mais preocupa em relação a Arrieta. Os walks são o principal motivo de preocupação. Na última temporada, ficou em 3,47 por nove entradas, marca que lhe colocou abaixo de jogadores muito menos expressivos.

    • Arrieta: 3,47 walks por nove entradas
    • Chris Tillman: 3,45 walks por nove entradas
    • Matt Moore: 3,27 walks por nove entradas

Em termos de controle da zona de strike, Arrieta deixou a desejar. E não foi só isso. A velocidade na bola rápida também acende um ponto de interrogação. De 2015 para 2016, a média da bola rápida em 0,9 milha. Pode parecer pouco, mas faz muita diferença entre um home run ou um strikeout. E para um jogador que gosta da changeup, isso é um ponto bem relevante.

Kyle Hendricks

Hendricks teve uma temporada dos sonhos em 2016 (AP)

Hendricks tem o melhor caso para 2017, mas provavelmente não deve repetir a campanha espetacular de 2016, quando liderou em ERA com 2,13. Nenhum outro jogador na Liga Nacional gosta de usar tanto a changeup, e no beisebol das Majors apenas Marco Estrada utiliza tanto esse arremesso. Jogadores com esse tipo de lançamento precisam muito da ajuda para produzir, e isso não é exceção para Hendricks — além de não ter uma bola rápida potente.

É claro, a defesa de campo interno dos Cubs é boa, uma das melhores da liga. Mas provavelmente não deve repetir o BABIP extremamente baixo de 25,0% conquistado na última temporada. Para conseguir repetir um número tão baixo assim, é preciso contar com um pouco de sorte.

John Lackey

Lackey já está nas Majors há 15 anos (Getty Images)

Até quando vai ser possível contar com Lackey como um jogador de confiança no montinho? Por mais que ele pareça indestrutível e tenha jogado mais uma boa e consistente temporada, os sinais de alerta estão ligados. Ele vai completar 39 anos em 2017, e pouquíssimos jogadores na história do beisebol conseguiram arremessar bem nessa idade. Além disso, Lackey é um jogador que depende da força para jogar, diferente dos knuckleballers que conseguem passar dos 40 anos sem tanta dificuldade.

Se para Lester o desgaste no braço já começa a levantar dúvidas, quanto a Lackey isso é muito mais notório. Entre os arremessadores em atividade, ele é o terceiro com maior número de entradas — 2.669, perde apenas para Colón e CC Sabathia, respectivamente.

Um ponto que preocupa para 2017 é o fato de que, no ano passado, Lackey cedeu 34% de rebatidas fortes, a maior marca da carreira. É outro jogador que depende muito da defesa para conseguir atuações acima da média. O veterano contou um pouco com a sorte em 2016 (25,5% de BABIP), o que pode não se repetir na nova campanha.


Mesmo se um abridor ou outro ceder as projeções negativas durante a temporada, a rotação dos Cubs não deve despencar ao ponto de ser um problema sério para Joe Maddon. No entanto, se você está pensando que o ano espetacular de 2016 na rotação se repita, é bom ser um pouco mais cético quanto a isso.