Uma das músicas mais populares da história dos Estados Unidos não foi escrita por nenhum gênio da indústria musical, como Burt Bacharach, Paul Simon ou Cole Porter. “Take me out to the ballgame”, o hino do beisebol, na verdade foi feito por uma dupla que nem sequer gostava de beisebol e que está esquecida na história cultural dos Estados Unidos: Jack Norworth e Albert von Tilzer.

A história e uma versão icônica

A composição da música aconteceu em 1908, quando Norworth, um compositor de músicas populares, andava no centro e nas redondezas de New York a procura de inspiração para compor novas canções. Em um desses passeios, o americano de 29 anos viu em um letreiro convencional da metrópole com os dizeres “Baseball Today — Polo Grounds”.

O que Norworth viu naquele letreiro não foi nada que, a primeira vista, impactasse tanto na composição de uma música, mas para o jovem compositor foi o clique instantâneo para escrever o hino do beisebol. Ele nem foi ao Polo Grounds naquele dia, e o primeiro jogo de beisebol que assistiu foi apenas em 1940.

Letra completa (mas apenas oito linhas são cantadas no estádio)

Katie Casey was baseball mad,
Had the fever and had it bad.
Just to root for the home town crew,
Ev’ry sou
Katie blew.
On a Saturday her young beau
Called to see if she’d like to go
To see a show, but Miss Kate said “No,
I’ll tell you what you can do:”

(Refrão)

Take me out to the ball game,
Take me out with the crowd;
Buy me some peanuts and Cracker Jack,
I don’t care if I never get back.
Let me root, root, root for the home team,
If they don’t win, it’s a shame.
For it’s one, two, three strikes, you’re out,
At the old ball game.

(Fim do refrão)

Katie Casey saw all the games,
Knew the players by their first names.
Told the umpire he was wrong,
All along,
Good and strong.
When the score was just two to two,
Katie Casey knew what to do,
Just to cheer up the boys she knew,
She made the gang sing this song:

Norworth escreveu a música naquele mesmo dia em que viu o anúncio do Polo Grounds, com auxílio de von Tilzer. Falava sobre a história de um casal de namorados em que a moça era uma fanática de beisebol que não perdia nenhum jogo, e sabia do nome de todos os jogadores.

A simplicidade da canção, curta, de apenas 1:14 de duração, foi um sucesso na época. Em 1908, a canção foi a mais popular dos Estados Unidos, o hit da época.

Abaixo no player, a versão original cantada por Edward Meeker.

 

“Take me out to the ballgame” já foi cantada por diversos cantores e ritmos — alternativos como rock e jazz, por exemplo. Mas uma das versões mais famosas e admiradas contam com dois gênios da cultura norte-americana como protagonistas: Frank Sinatra e Gene Kelly. A dupla gravou a música em musical como parte do filme com o mesmo nome da canção, lançado em 1949 — no Brasil tem o nome de “A bela ditadora”.

Nos estádios e na sétima entrada

A música foi composta logo no início do século passado, no entanto, não foi associada diretamente com os estádios da MLB e isso demorou muito para acontecer. Apenas em 1934 se tem o primeiro histórico da música sendo tocada em um jogo de beisebol, e isso não aconteceu em New York ou Boston, e sim, em um jogo de ensino médio na Califórnia. A ideia pegou, e mais tarde naquele a canção já estava sendo tocada nos ballparks das Majors.

Não há uma noção exata de quando a música passou a ser tocada a partir do meio da sétima entrada, porém, foi um encaixe muito natural. O beisebol tem o seventh inning stretch em que há uma pausa maior entre um turno e outro. É um momento para os torcedores comprarem comida nas lojas, tirarem fotos e também serve de um descanso maior para os jogadores.

Nessa pausa natural, Harry Caray, lendário e icônico narrador de diversos times durante mais de 50 anos (1945 a 1997), passou a cantar a música durante as transmissões quando era narrador de estádio do Chicago White Sox (1971-1981). O dono do time, empreendedor e visionário, viu a oportunidade de tornar isso uma tradição, e no momento da canção colocava o microfone de Caray aberto para todo estádio cantar.

A tradição pegou, e aos poucos todos os outros times da liga começaram a fazer o mesmo. Isso ficou mais forte quando Caray foi para o Chicago Cubs, o que gerou vários momentos inesquecíveis que estão no YouTube.


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About The Author

Editor-chefe da Casa do Beisebol, entre 2015-2017 ocupei a mesma função no Segunda Base, além de ter trabalhado como administrador e fundador do Spinball Net entre 2011 a 2016. Ainda com passagem pelo ExtraTime. Respiro beisebol 24 horas por dia, também sou tipster e apostador profissional no Quero Apostar.

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